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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A China e o Vaticano estão prestes a concluir acordo sobre a nomeação de bispos.

china__catholic_shanxiUm acordo entre a China e o Vaticano a respeito da nomeação de bispos estará concluído antes de dezembro. Roma quer acabar com o vazio de poder em mais da metade das dioceses chinesas, que, ou não tem atualmente quem as dirija, ou então são dirigidas por bispos que já completaram os 75 anos.

Segundo fontes citadas pela Reuters, em dezembro a máxima autoridade da chamada “Igreja Patriótica” irá se reunir. A última reunião da Assembleia Nacional de Representantes Católicos, em 2010, desencadeou a excomunhão de três bispos desta Igreja estatal. O Vaticano quer evitar um novo enfrentamento com Pequim e afastar um possível cisma entre os fiéis. Os católicos chineses estão divididos entre comunidades leais ao governo e outras “clandestinas”, que são leais ao Vaticano.


Embora o restabelecimento das relações diplomáticas não esteja na pauta no momento, reina o otimismo no que diz respeito à questão da nomeação de bispos. Em agosto, Pequim permitiu que delegados do Vaticano se reunissem com os oito bispos chineses que foram ordenados irregularmente, o que fez com que Roma estivesse agora disposta a reconhecer quatro deles.

Afora os pastores das dioceses de Chengde, Harbin e Puqi, também se incorporará à Igreja fiel ao Vaticano o bispo de Kunming, Joseph Ma Yinglin. O reconhecimento por Roma deste último prelado é especialmente importante, já que é ao mesmo tempo o presidente da Conferência Episcopal do país e vice-presidente da Associação Patriótica Católica, organizações que prestam contas ao governo chinês.

Nas reuniões de agosto houve também uma série de pautas para as nomeações episcopais que já teriam a aprovação de ambas as partes. De acordo com fontes próximas às negociações, tanto Pequim como Roma concordaram em que os novos bispos serão escolhidos pelo clero local, embora o Papa possa vetar um candidato sempre e quando desse conta de suas razões ao governo.

Outra razão para a esperança é que já estariam sendo preparadas as ordenações de dois novos bispos no país que seriam reconhecidos pelas duas Igrejas. Um deles será para a diocese de Chengdu, na província sul-ocidental de Sichuan, ao passo que o outro poderia ser ou para Changzhi, no norte do país, ou para Xichang, também em Sichuan, segundo fontes.

Contatada pela Reuters, a vice-porta-voz da Santa Sé, Paloma García Ovejero, nem confirmou nem negou os rumores de que o acordo estive perto de ser concluído. Elisa Giunipero, da Universidade Católica de Milão, por sua vez, enfatizou a oportunidade histórica que se apresenta neste momento. Um acordo sobre os bispos, enfatizou, acabaria na China “com o risco de cisma que esteve presente nos últimos 60 anos”.

Religión Digital

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