quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Os sete pecados capitais da internet

Em uma conferência de 2011 ao Wall Street Journal, republicado recentemente pelo The Atlantic, um dos fundadores do LinkedIn, Reid Hoffman, sugeriu uma teoria para compreender o sucesso ou fracasso das redes sociais: cada rede está relacionada, em mais de uma maneira, com um pecado capital. A sugestão não é tão insensata: Facebook seria a vaidade; Netflix, a preguiça; Tinder – tenho que dizer? –, obviamente, a luxúria.
Luxúria: assim como no inferno de Dante, as almas dos luxuriosos permaneceriam para sempre envoltas em um furacão que não lhes desse descanso; os usuários do Tinder poderiam estar tendo uma experiência semelhante: a de deslizar o dedo e nunca conseguir alguém para iniciar um relacionamento sério.
Gula: o Instagram seria para gulosos. Assim como o lendário Tântalo, punido no Tártaro, foi sentenciado a não poder saciar sua fome e sede, visto que, ao aproximar-se da água esta escoava e ao erguer-se para colher os frutos das árvores, os ramos moviam-se para longe de seu alcance sob a força do vento; quando se navega no Instagram se depara com uma inundação de imagens compartilhadas de comidas que, pelo menos na tela, não podemos provar.

Ganância: Dante explica como os gananciosos estão condenados a lutar entre si, para sempre, no inferno, jogando pedras infinitamente pesadas. É a competência profissional que, segundo Meyer, se veria no LinkedIn.

Preguiça: embora não seja uma rede social, o Netflix seria uma das fontes favoritas de tempo perdido – “protelação” – dos nossos dias.


Pessoas iradas se atacando: quinto círculo do inferno de Dante
Ira: no quinto círculo do inferno de Dante, as pessoas iradas estão condenadas a se atacar umas às outras, sem fim, sem que ninguém prevaleça sobre o outro. Não seria uma possível descrição das nossas discussões no Twitter?

Inveja: a inveja, basicamente, faz sentir desejo pelo que não temos, de modo que acabamos não vendo ou apreciando o que temos de fato. Isso seria o Pinterest.

Orgulho: aqui há divergências. Hoffman diz que “orgulho”, o mais pesado dos pecados, equivaleria ao Facebook. O orgulho, na verdade, consiste basicamente em acreditar que se é essencialmente melhor que o seu próximo. De acordo com Meyer, Medium (ou alguma outra plataforma de blog) poderia certamente ser o orgulho. É uma maneira de dizer “eu sei dizer melhor o que você pensa que sabe, então compartilhe o meu artigo”.

Mas se o Facebook não é o orgulho, o que seria? A vaidade, apego sem limite nem fundamento à atração de si mesmo, além de um desejo incontrolável de se gabar. Isso, afirma Meyer, seria a tônica do Facebook: a possibilidade de oferecer, on-line, a melhor versão possível de sua própria vida, editando cuidadosamente cada um dos seus altos e baixos.



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