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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A gota de água que o sacerdote ou o diácono verte no cálice que contêm o vinho que será consagrado, tem um valor simbólico portentoso.

vinho-e-aguaO que é uma gota de água, essa ínfima partícula líquida sem odor, sem sabor e sem cor? É tão pouca coisa… é nada!

Ainda que uma gota de água possa luzir sobre as pétalas de uma bela flor e refletir maravilhosamente a luz do sol, quando se compara com um imenso mar bravio, ou com nuvens carregadas e prontas para derramar um dilúvio formidável, ou com uma fonte generosa que não cessa de brotar da terra produzindo incontáveis benefícios… pois, uma simples gota de água é igual a nada.

No entanto, na liturgia da Missa, a gota de água que o sacerdote ou o diácono verte no cálice que contêm o vinho que será consagrado, tem um valor simbólico portentoso: significa os tesouros da Igreja e “o que falta à paixão de Cristo”, nem mais nem menos. Com efeito, diz São Paulo “Agora me alegro pelos padecimentos que suporto por vós, e completo em minha carne o que falta às tribulações de Cristo, em favor de seu Corpo, que é a Igreja” (Col. 1, 24).

Nossos sacrifícios, as provas assumidas e oferecidas com amor e unidas à imolação de Jesus, têm um valor redentor e servem para expiar os pecados do mundo, já que completam, em nossa carne, essa quota com a qual Deus conta para que seu precioso sangue seja fecundo. Não é que Deus precise de alguém ou de algo, mas assim dispôs as coisas em sua providência.


O sacrifício do Calvário nos redimiu da morte e do pecado e nos abriu as portas do céu. Mas para que cada um alcance a salvação, é necessário acolhê-la amorosamente, pois Deus não a impõem pela força. Esse ‘fiat’ que nos corresponde assumir, é nosso próprio sacrifício que, como uma gota de água, vale por si muito pouco ou nada, mas que, unido ao de Nosso Senhor e às lágrimas de Maria Santíssima, passa a ter valor. Um valor tão pequeno como nossa insignificância, e tão enorme que sem ele não alcançamos a vida eterna.

Esta verdade é simbolizada na Celebração Eucarística no momento do ofertório, quando o celebrante derrama uma delicada gota, ou pouco mais, no vinho que será transubstanciado. A matéria própria da Eucaristia é o pão e o vinho, não é a água. Mas esta última, ao ser colocada no vinho, se confunde com ele formando um só líquido a ser consagrado.

Nossa participação na redenção do mundo e na nossa pessoal, passa por essa indispensável e providencial “gota de água” que é nossa oblação. Que belo mistério e quão belamente é simbolizado!

Essa gota de água é um sinal que nos anima a sofrer o que nos toca, dá sentido à prova, aos dissabores da vida e a mesma morte. E na medida em que carreguemos com determinação a própria cruz, a gota de água se alarga, aumentando nossa particular contribuição para a salvação do mundo.

Dita gota de água simboliza um tesouro que vale muito mais que qualquer pedra preciosa de altíssimo valor. Há um tempo atrás, se divulgou a notícia de que um diamante rosa de 24 quilates bateu os recordes de um leilão suíço sendo adquirido por um joalheiro norte-americano pelo preço de 33 milhões de euros. Esse diamante não vale, nem de longe, o que vale uma alma aos olhos de Deus.

É que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, redimidos e comprados por Seu Sangue infinitamente precioso e assim, feitos parte da família de Deus posto que somos seus filhos. Valemos mais que todo o universo material!

Agora, comparados com o sofrimento de Jesus Cristo no Calvário, que são os méritos somados de todos os mártires, de todos os confessores, de todas as virgens? Da mesma Virgem das virgens? Nada… ou quase nada; valem o que vale uma gota de água. Entretanto, dizemos com propriedade: que tesouro valiosíssimo são os méritos de Maria Santíssima, dos anjos e dos santos!… Por que? Pela razão de que estão unidos aos merecimentos de Cristo. Aí adquirem seu verdadeiro valor.

A gota de água da liturgia da Missa é um dos tantos símbolos que enriquecem a celebração. A Eucaristia é um tesouro de tão infinito valor, que a Igreja lhe pôs como marco uma liturgia celebrativa que forma e educa aos fiéis. A Missa, celebrada como se deve (há que se dizer que, lamentavelmente, não é tão raro encontrar-se com “originalidades” que violam as rubricas e atentam contra a mesma ortodoxia) é uma catequese.

‘Lex orandi, lex credendi’ diz um antigo adágio latino. Isto significa que a lei da oração, quer dizer, a forma como rezamos, como celebramos o culto, determina a lei do que se crê, determina a substância da Fé.

Que responsabilidade tem os pastores de formar aos fiéis, e eles, por sua vez, de instruirem-se sobre as maravilhas da oração litúrgica, uma vez que o que se faça em matéria de celebração, condicionará a integridade da Fé que se professa!

Se conhecêssemos e amassemos o significado de tantos sinais e símbolos da liturgia católica estaríamos mais motivados para adorar ao Senhor na Eucaristia. A dignidade dos vasos sagrados, o valor da música sacra, o sentido do perfume do incenso que normalmente se utiliza em certas solenidades, tudo, até a insignificante mas indispensável gota de água, são os tesouros da Igreja aos quais se unem nossas vidas chamadas a “transformar-se em oferenda permanente” (Oração Eucarística III).

O mistério cristão é sugestivo e zeloso. Pede que o professemos na riqueza do que é e não segundo a mesquinhez de nossa pobre forma de concebê-lo.

Por Padre Rafael Ibarguren, EP.

Conselheiro de Honra da Federação Mundial das Obras Eucarísticas da Igreja (FMOEI)

Traduzido por Emílio Portugal Co

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