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segunda-feira, 18 de julho de 2016

“Bento XVI. Últimas conversas”. Livro de memórias do Papa Bento XVI será lançado em Setembro.

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As noites insones depois do conclave, as lutas internas, a renúncia. Joseph Ratzinger se conta em um livro que será publicado em setembro.

Chega um livro de memórias do Papa Bento XVI: agora, será impresso e estará nas livrarias do mundo inteiro em setembro. Título: Benedetto XVI. Ultime conversazioni [Bento XVI. Últimas conversas], porque vai se tratar de um livro-entrevista com o escritor alemão Peter Seewald, que já havia publicado três volumes de diálogos com Joseph Ratzinger: dois quando ele era cardeal (em 1996 e em 2000) e um como papa, em 2010, intitulado Luz do mundo.

Dos quatro volumes, este se anuncia como o mais interessante, ainda mais do que o livro escrito como papa, porque um papa é um papa, mas um papa emérito é uma absoluta novidade. Anunciando a publicação, a editora alemã Droemer, que coordena o lançamento nas diversas línguas, afirmava nessa quinta-feira que, pela primeira vez em 2.000 anos, temos “um papa que traça um balanço do próprio pontificado”.


Também por causa do título “Últimas conversas”, o volume se apresenta como o testamento de Bento XVI: nos três anos e meio que nos separam da “renúncia”, ele falou pouco e nunca de coração aberto, como dizem que ele faz nesse texto, respondendo a perguntas não reticentes sobre a própria renúncia ao papado, sobre o seu sucessor, sobre o caso do ser humano, sobre a família de origem até as tempestades dos oito anos como papa.

Dos preparativos do ato de “renúncia” até a investigação sobre o “lobby gay” do Vaticano, passando pela “surpresa” que, também para ele, representou a eleição do cardeal Bergoglio, são muitas as emoções e os bastidores que, aqui, são contadas pelo papa teólogo, que, em abril do próximo ano, completará 90 anos.

Sobre a renúncia, ele conta que a preparou com poucas pessoas mais próximas a ele e se lembra do temor de que pudesse haver um vazamento de notícias que tiraria a força do anúncio. E ele tinha razão para temer, porque nunca houve, no Vaticano do último século, tantos vazamentos de notícias e textos quanto no seu pontificado.

Ele argumenta a escolha de comunicar em latim uma decisão de tal porte, especificando que temia que, se tivesse escolhido o italiano, poderia cometer algum erro de linguagem. Ele confessa as dúvidas que teve que superar no diálogo consigo mesmo sobre o impacto que a sua decisão poderia ter sobre o futuro do papado. Mais uma vez, ele nega chantagens ou pressões.

Ele conta como acompanhou, em Castel Gandolfo, as crônicas televisivas sobre as fumaças e admite ter ficado “surpreso” com o nome do sucessor: ele tinha pensado em nomes, mas “não nele”. E, além disso, nós, jornalistas, também tínhamos feito o mesmo. A surpresa foi acompanhada pela “alegria” de ver como o novo papa rezava e se comunicava com a multidão.

Em resposta ao entrevistador, Bento XVI trata da figura humana e papal de Francisco e se refere livremente tanto ao que eles têm em comum quanto ao que os diferencia.

No livro, há recordações da infância e da adolescência na Alemanha nazista daqueles anos. A descoberta da “vocação”, a prisão no fim da Segunda Guerra Mundial em um campo estadunidense nos arredores de Ulm. Os sucessos e as decepções da carreira universitária, as publicações que fizeram dele um “perito” do Concílio Vaticano II. Temas sobre os quais ele já havia narrado no livro A minha vida, que é de 1997.

Chegando aos anos mais recentes em relação a essa autobiografia, no novo volume, ele conta o forte vínculo comJoão Paulo II, ao qual, repetidamente, pediu para ser exonerado dos seus cargos, e as recusas do papa polonês que o quis ao seu lado até o fim.

Há também o pensamento da morte e a confissão de como o papa emérito se sente fraco diante dela e a narração do modo como ele se prepara.

Ele nos diz o sentimento de “incredulidade” que experimentou no conclave, quando compreendeu que seria a vez dele. A opção de não se chamar João Paulo III, mas de ligar o seu pontificado a São Bento e a Bento XV, o papa que definiu a Primeira Guerra Mundial como “inútil massacre”.

Ficamos sabendo da dificuldade de pegar no sono que ele sofreu nos primeiros dias depois da eleição, por causa da ansiedade que estava sobre ele.

Ele rejeita a ideia ou a crítica daqueles que o consideram como um papa acadêmico demais, concentrado no estudo e na escrita. Ele se recusa a ser considerado como um restaurador em âmbito litúrgico. Ele conta algo sobre a sua tentativa de reformar o IOR e recorda as leis promulgadas por ele contra a lavagem de dinheiro, reflete sobre a chaga da pedofilia e não deixa de enfatizar as dificuldades que mesmo um papa encontra quando quer intervir sobre a “sujeira que está na Igreja”.

Ele admite a sua falta de decisão no governo. Conta que fez anotações e tomou nota durante o pontificado sobre muitas questões, mas diz que vai destruí-las, embora se dê conta de que, para os historiadores, seriam um verdadeiro “convite de casamento”.

Luigi Accattoli, Corriere della Sera

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