sexta-feira, 29 de abril de 2016

Realmente precisamos de Maria para a nossa salvação?

Uma reflexão de São Luís Maria Grignion de Montfort:
Stained glass depicting the Virgin Mary holding baby Jesus © CURAphotography / Shutterstock.com - pt

Sendo a Santíssima Virgem necessária a Deus, duma necessidade que se chama hipotética, em consequência da Vontade Divina, é preciso concluir que Ela é muito mais necessária aos homens para alcançarem o seu fim último. Em razão disto não se deve confundir a Devoção à Santíssima Virgem com a devoção aos outros Santos, como se Ela não fosse muito mais necessária, e fosse apenas de superrogação, isto é, um acréscimo.


Baseados na opinião dos Padres da Igreja (entre outros, de Santo Agostinho, Santo Efrém, diácono de Edessa, São Cirilo de Jerusalém, São Germano de Constantinopla, São João Damasceno, Santo Anselmo, São Bernardo, São Bernardino, São Tomás e São Boaventura), o douto e piedoso Suarez, da Companhia de Jesus, o sábio e devoto Justo Lípsio, doutor de Lovaina, e vários outros provaram, de maneira incontestável, que a Devoção à Santíssima Virgem é necessária para a salvação. Provaram ainda que é sinal infalível de reprovação – segundo o sentir do próprio Ecolampádio e de alguns outros heréticos -, a falta de estima e amor à Santíssima Virgem, e que, pelo contrário, é sinal certo de predestinação ser-lhe inteira e verdadeiramente dedicado ou devoto.

Provam-no as figuras e palavras do Antigo e do Novo Testamentos, confirmam-no os sentimentos e exemplos dos santos, ensina-o e demonstra-o a experiência. O próprio demônio e os seus sequazes, instados pela força da verdade, foram muitas vezes obrigados a confessá-lo, ainda que de má vontade. De todas as passagens dos Santos Padres e Doutores – de que fiz ampla colheita, para comprovar esta verdade -, cito apenas uma, de São João Damasceno, a fim de não me alongar: “Ser Vosso devoto, ó Maria Santíssima, é uma arma de salvação que Deus dá àqueles que quer salvar!”.

Poderia referir aqui vários fatos em confirmação do mesmo assunto. Entre outros:

1º. O que vem narrado nas crônicas de São Francisco. Viu ele, num êxtase, uma grande escada que ia ter ao Céu, e em cuja extremidade estava a Santíssima Virgem. Foi-lhe dado a entender que é necessário subir por essa escada para chegar ao Céu.

2º. O que está nas crônicas de São Domingos, segundo o qual, perto de Carcassone, onde o santo pregava o Rosário, a alma dum infeliz herético estava possessa de quinze mil demônios. Estes foram, por ordem da Santíssima Virgem e para a própria confusão, obrigados a confessar grandes e consoladoras verdades sobre a Devoção a Nossa Senhora. Fizeram-no com tanta força e clareza que, por pouca devoção que se tenha à Santíssima Virgem, não se pode ler sem lágrimas de alegria esta história autêntica e o panegírico que da mesma Devoção o demônio fez, ainda que de má vontade.



(Trecho do livro “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria“)

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