sexta-feira, 29 de abril de 2016

O dia em que um papa enfrentou – e venceu – os bárbaros mais terríveis

Leão Magno2A região europeia dos Bálcãs, bem próxima da Itália, estava sendo invadida e saqueada pelos hunos, um povo bárbaro, extremamente violento, liderado por Átila. Para se ter uma ideia de quem era Átila, seu apelido era “a Praga de Deus” ou “o Flagelo de Deus“. Uma das suas frases mais célebres é:
“Onde eu passar, a grama não crescerá novamente”.
Eram desse nível os guerreiros que se dirigiram ao norte da Itália para saquear Milão no ano de 452. O imperador Valentiniano III achou por bem fugir para Roma…
Diante das circunstâncias, o povo romano e o próprio imperador pediram que o papa, São Leão Magno, fosse pessoalmente ao encontro dos bárbaros nas proximidades de Mântua.
E o papa foi mesmo.

Acompanhado de clérigos e paramentado com as vestes pontifícias, o Santo Padre pediu aos hunos que não invadissem Roma e retornassem aos Alpes. Qual era a chance de que alguém como Átila atendesse a tal pedido de um líder religioso no qual ele nem acreditava?
Pois Átila obedeceu.
De acordo com Próspero da Aquitânia, Átila teve, durante o encontro com o papa Leão, uma visão de ninguém menos que São Pedro e São Paulo brandindo espadas – visão esta que consta no Breviário Romano.
A pintura do grande artista italiano Rafael Sanzio retrata o momento:
Depois desse milagre, São Leão Magno pediu que o povo orasse em agradecimento, mas os romanos logo se entregaram novamente às suas frivolidades e vícios. Não muito tempo depois, outro povo bárbaro, o dos vândalos, chegou a Roma sob o comando deGenserico.
E lá foi São Leão novamente ao encontro deles…
O papa lhes pediu para que não houvesse saques e que a vida do povo fosse respeitada. Os vândalos obedeceram só à metade do pedido: durante quinze dias, saquearam Roma, mas nenhum cidadão foi morto. Depois disto, São Leão reconstruiu a cidade e proferiu tristemente as seguintes palavras sobre a imoralidade do povo:
“Meu coração está cheio de tristeza e invadido por um grande temor, porque há grande perigo quando os homens são ingratos a Deus, quando se esquecem de suas mercês e não se arrependem depois do castigo, nem se alegram com o perdão”.
Afinal, se o povo não colabora, o papa sozinho não pode resolver tudo.
São Leão fez a sua parte. Além de cuidar dos cidadãos em Roma, ele também enviou missionários para interceder pelos prisioneiros dos vândalos no norte da África, entre outros muitos gestos pastorais.
São Leão Magno morreu em 10 de novembro do ano de 461, deixando uma rica coleção de cartas, sermões e escritos graças aos quais ele foi reconhecido, no século XVIII, como Doutor da Igreja.
Uma de suas grandes lições, seguida por papas como São João Paulo II, Bento XVI e Francisco, é a de ir ao encontro dos inimigos com as armas da palavra e da fé na Cruz de Cristo – o sinal no qual venceremos.
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