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sábado, 16 de abril de 2016

Declaração da CNBB sobre o momento nacional: “Escândalos de corrupção sem precedentes na história do Brasil”

Dom-Sergio-da-Rocha-740x493Ao finalizar a 54a Assembleia Geral os bispos do Brasil publicaram, na tarde de hoje, 14, uma declaração, assinada pela presidência da CNBB, a respeito do momento nacional.

A declaração destaca “Escândalos de corrupção sem precedentes na história do Brasil”, com “impacto devastador”. Os prelados falam de “Empresários, políticos, agentes públicos envolvidos num esquema imoral, criminoso”. E perguntam-se: quem paga por tudo isso? “Os pobres são os que pagam pela corrupção”, dizem.

Assim, afirmam os bispos, “As suspeitas de corrupção devem continuar sendo rigorosamente apuradas”, “Os culpados punidos e os danos devidamente reparados”.

“A crise atual – dizem – evidencia a necessidade de uma autêntica e profunda reforma política”. Portanto, que “Os três poderes da república cumpram integralmente as suas responsabilidades”.

Os prelados do Brasil exortam ao diálogo: “A polarização de posições ideológicas em clima fortemente emocional geral perda de credibilidade e pode levar à violência”; Por isso é importante “Promover o debate político com serenidade”. Finalmente, dizem os bispos, “Acreditamos no diálogo”.

Durante a coletiva de imprensa uma jornalista perguntou a Dom Sergio da Rocha, presidente da instituição se a CNBB é contra ou a favor do impeachment?


Destacando que quem se pronuncia agora é a Assembleia Geral e não só a CNBB, dom Sergio diz que “a nossa posição é a que está sendo manifestada nessa declaração. Continuamos a linha adotada nos posicionamentos anteriores”, ou seja, “Não manifestar uma posição de caráter político-partidário”. O presidente da CNBB afirma que há um critério, e que portanto, não se pode falar que a CNBB não se pronunciou. “Que se preserve a ordem constitucional estabelecida. Que as manifestações devem ser pacíficas. A violência não deve ser forma de manifestação de posição política, seja ela qual for”, disse, esclarecendo que “Normalmente não nos pronunciamos sobre pessoas, partidos e governos. Continuamos a nossa missão e dispostos a dialogar e favorecer o diálogo”.

Já dom Murilo Krieger, vice-presidente da CNBB, afirmou que “a nossa preocupação é de apontar um caminho, mas não temos nem critério e nem condições de ficar analisando cada pessoa, cada partido, cada posição”, afirmou. “Isso implicaria entrar em um campo que não é o nosso”, e que portanto, “Queremos que o nosso leigo, ou quem ler uma nota como essa, faça as suas escolhas de acordo com essas orientações”. Dessa forma que “no diálogo se respeite o outro. O grande problema é quando cada um começa a se fechar. O que nós queremos, em termos de Brasil, é que aja paz e que tudo seja resolvido sem conflitos”.

O secretário geral da conferência episcopal, Dom Leonardo, por sua vez, afirmou que “O bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e cooperativistas” e que, também “Seria deselegante da nossa parte ficar citando nomes. Tem que seguir a constituição e a verdade dos fatos”, disse.

***

Nós, bispos católicos do Brasil, reunidos em Aparecida, na 54ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), frente à profunda crise ética, política, econômica e institucional pela qual passa o país, trazemos, em nossas reflexões, orações e preocupações de pastores, todo o povo brasileiro, pois, “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (Gaudium et Spes, 1).

Depois de vinte anos de regime de exceção, o Brasil retomou a experiência de um Estado democrático de direito. Os movimentos populares, organizações estudantis, operárias, camponesas, artísticas, religiosas, dentre outras, tiveram participação determinante nessa conquista. Desde então, o país vive um dos mais longos períodos democráticos da sua história republicana, no qual muitos acontecimentos ajudaram no fortalecimento da democracia brasileira. Entre eles, o movimento “Diretas Já!”, a elaboração da Carta Cidadã, a experiência das primeiras eleições diretas e outras mobilizações pacíficas.

Neste momento, mais uma vez, o Brasil se defronta com uma conjuntura desafiadora. Vêm à tona escândalos de corrupção sem precedentes na história do país. É verdade que escândalos dessa natureza não tiveram início agora; entretanto, o que se revela no quadro atual tem conotações próprias e impacto devastador. São cifras que fogem à compreensão da maioria da população. Empresários, políticos, agentes públicos estão envolvidos num esquema que, além de imoral e criminoso, cobra seu preço.

Quem paga pela corrupção? Certamente são os pobres, “os mártires da corrupção” (Papa Francisco). Como pastores, solidarizamo-nos com os sofrimentos do povo. As suspeitas de corrupção devem continuar sendo rigorosamente apuradas. Os acusados sejam julgados pelas instâncias competentes, respeitado o seu direito de defesa; os culpados, punidos e os danos, devidamente reparados, a fim de que sejam garantidas a transparência, a recuperação da credibilidade das instituições e restabelecida a justiça.

A forma como se realizam as campanhas eleitorais favorece um fisiologismo que contribui fortemente para crises como a que o país está enfrentando neste momento.

Uma das manifestações mais evidentes da crise atual é o processo de impeachment da Presidente da República. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil acompanha atentamente esse processo e espera o correto procedimento das instâncias competentes, respeitado o ordenamento jurídico do Estado democrático de direito.

A crise atual evidencia a necessidade de uma autêntica e profunda reforma política, que assegure efetiva participação popular, favoreça a autonomia dos Poderes da República, restaure a credibilidade das instituições, assegure a governabilidade e garanta os direitos sociais.

De acordo com a Constituição Federal, os três Poderes da República cumpram integralmente suas responsabilidades. O bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas. A polarização de posições ideológicas, em clima fortemente emocional, gera a perda de objetividade e pode levar a divisões e violências que ameaçam a paz social.

Conclamamos o povo brasileiro a preservar os altos valores da convivência democrática, do respeito ao próximo, da tolerância e do sadio pluralismo, promovendo o debate político com serenidade. Manifestações populares pacíficas contribuem para o fortalecimento da democracia. Os meios de comunicação social têm o importante papel de informar e formar a opinião pública com fidelidade aos fatos e respeito à verdade.

Acreditamos no diálogo, na sabedoria do povo brasileiro e no discernimento das lideranças na busca de caminhos que garantam a superação da atual crise e a preservação da paz em nosso país. “Todos os cristãos, incluindo os Pastores, são chamados a se preocupar com a construção de um mundo melhor” (Papa Francisco).

Pedimos a oração de todos pela nossa Pátria. Do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, invocamos a bênção e a proteção de Deus sobre toda a nação brasileira.

Aparecida – SP, 13 de abril de 2016.

Dom Sergio da Rocha Arcebispo de Brasília Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ Arcebispo de São Salvador da Bahia Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner Bispo Auxiliar de Brasília Secretário-Geral da CNBB

Fonte: Zenit

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