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sábado, 23 de janeiro de 2016

Papa Francisco altera as regras do tradicional rito litúrgico do lava-pés com a possibilidade de inclusão de mulheres.

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O papa Francisco ordenou a alteração das regras do tradicional rito litúrgico do lava-pés, realizado durante a missa “Coena Domini”, na quintas-feiras santas – data que precede a sexta-feira santa e o feriado de Páscoa.
Uma mudança na prática que agora consagrou-se nos documentos da Igreja universal. O Papa ordenou que se modificassem as indicações litúrgicas sobre o ritual de lavagem dos pés na missa da Quinta-feira Santa. A partir de agora os escolhidos para receber a lavagem não serão somente homens ou meninos, em memória dos 12 apóstolos. Poderão ser homens e mulheres, jovens e idosos, saudáveis e doentes, clérigos ou não.
A reforma foi introduzida com uma carta do Papa dirigida ao cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos do Vaticano. Nela mesma Bergoglio reconheceu que levava um tempo refletindo sobre o ritual correspondente à missa “in coena domini” (Missa da Ceia do Senhor), ou seja, a última ceia.

Acrescentou que seu objetivo é “melhorar as modalidades de realização para que expressem plenamente o significado do gesto cumprido por Jesus no cenáculo, seu doar-se até o fim pela salvação do mundo e sua caridade sem fronteiras”. E estabeleceu que, depois de uma “atenta ponderação”, determinou a mudança da rubrica do Missal Romano.
“Preciso, portanto, que seja modificada a rubrica segundo a qual as pessoas escolhidas para receber a lavagem dos pés devem ser homens ou meninos, de modo tal que de agora em diante os pastores da Igreja possam escolher participantes no ritual entre todos os membros do povo de Deus. Recomenda-se ainda que aos escolhidos seja oferecida uma adequada explicação do significado do próprio ritual”, agregou na carta.
Deve ter se passado mais de um ano para que a congregação vaticana responsável emita um decreto que ponha em prática a decisão do Papa. O texto, assinado pelo cardeal Sarah, leva data de 06 de janeiro de 2016, enquanto a carta de Francisco está datada de 20 de dezembro de 2014.
Sobre este atraso e ante a pergunta sobre se este deveu-se a resistências de algum tipo, o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi explicou que as questões litúrgicas “sempre tardam”, porque se necessita tempo para traduções de textos e rubricas.
“Foi publicado agora em vista da Semana Santa, a publicação atrasou um pouco, porque se trabalha continuamente em missais, que são traduzidos, reformulados, etc. As conferências episcopais serão informadas hoje desta mudança de modo que se tornará de uso comum”, disse.
Além disso, recordou que o Papa, já desde seu tempo em Buenos Aires e também em Roma, optou por lavar os pés também de mulheres e meninas. Precisou que tradicionalmente os homens escolhidos representassem aos 12 apóstolos na última ceia e, por isso, o ritual foi principalmente uma imitação do gesto realizado por Jesus antes de ser preso.
“Mas o significado da lavagem é a manifestação do amor de Jesus por todos até o fim, mas além do que demonstrou aos 12 apóstolos, teve um valor universal. O Papa disse que na liturgia damos esse gesto de amor de Cristo por todos a prevalência na imitação do gesto ou na recordação histórica. A partir de agora não deverão ser necessariamente homens ou jovens, mas também podem ser eleitos entre todos os membros do povo de Deus. E não é necessário, tampouco, que sejam 12, pode ser um grupo, embora isso já era previsto. O que importa é o gesto e a expressão do amor de Deus para todos”, insistiu.
Explicou que esse ato não tem um valor sacramental e, por isso, já era possível interpretar sua forma de realização dependendo das circunstâncias pastorais. Disse que, no entanto, para o Papa se trata de um momento “muito significativo” porque cada ano ele o realiza “com uma intensidade muito evidente”.
“Recomenda-se que aos eleitos seja oferecida uma explicação completa do próprio ritual, não se trata de fazer uma representação, mas de cumprir um ato que tem um significado espiritual, por isso é importante que se compreenda o significado”, ponderou.
Em sua primeira Quinta-Feira Santa, poucos dias depois de ter sido eleito Papa, Francisco surpreendeu a todos ao realizar a missa “in coena domini” (Missa da Ceia do Senhor) não na Basílica de São João de Latrão de Roma, como de costume, mas na capela da prisão de menores Casal del Marmo. Nessa ocasião, ele lavou os pés de algumas meninas, uma delas de religião muçulmana. O gesto lhe arrecadou severas críticas de grupos tradicionalistas.
Isso não fez o pontífice mudar de opinião, que em 2014 realizou a lavagem dos pés em uma casa de ajuda da Fundação Don Gnocchi, nos arredores de Roma. Os 12 escolhidos tinham entre 16 e 86 anos, e entre eles estavam quatro mulheres e um muçulmano. Em 2015 ele fez o mesmo com um grupo de presos e presas, na prisão romana de Rebbibia.
Fonte:  Vatican Insider

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