quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O Jubileu e o perdão do aborto cometido. A palavra final é da misericórdia!


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Uma peculiaridade deste Jubileu é o envio a todas as dioceses do mundo de 800 “missionários de misericórdia”, aos quais o papa dá a faculdade de perdoar os pecados reservados à Sé Apostólica. Mas Francisco fez mais.
Para o Ano Santo inteiro, todos os sacerdotes do mundo poderão perdoar também o aborto provocado, pecado cuja absolvição é reservada aos bispos ou a sacerdotes por eles delegados. Um sinal para convidar ao arrependimento e ao pedido de perdão, outro elemento-chave do Jubileu.
“Eu abortei aos 20 anos e, na misericórdia de Francisco, me sinto acolhida e perdoada”, conta Beatrice Fazi, 43 anos. “Eu me vi grávida e sem orientação. O homem de quem eu esperava um filho me abandonou: ele não quereria assumir a responsabilidade de criar um filho”, conta. “Eu tinha acabado em Roma há pouco tempo de uma cidade da província do Sul, onde é difícil confessar aos pais uma coisa desse tipo, em um contexto em que dar à luz antes do casamento equivale a uma mancha de infâmia e de exclusão social.” Um trauma profundo.

A vergonha
“Eu fiquei sozinha, sentia vergonha e não tinha ninguém que me guiasse e me indicasse uma solução alternativa para a interrupção voluntária da gravidez”, acrescenta. “Desde então, a escolha de abortar permaneceu como uma ferida dilacerante impossível de curar.” Um calvário contado no livro-confissão Un cuore nuovo [Um coração novo, capa acima]. Depois de 15 anos de escuridão, quando tudo já parecia perdido, ela reencontrou a si mesma através da fé. Percursos atormentados depois da conversão.
“Um dia, eu decidi ir me confessar por superstição e por medo de que um Deus vingativo e juiz me punisse ou reivindicasse algo de mim”, explica. “Eu botei para fora todos os meus pecados, e o sacerdote não me deu a absolvição, mas me disse que, embora excomungada e em condição irregular, eu era chamada à santidade.”
Uma pedra de tropeço: aquela experiência dramática na juventude. O aborto como “segredo guardado na gaveta durante anos, porque eu não conseguia falar a respeito”. A angústia de não se sentir perdoada “pela criança que eu impedi de vir ao mundo e que não pôde se defender”.
Hoje, “eu considero o meu anjo no paraíso, eu o chamo de Mateus”. Através da fé, “o desprezo por mim se transformou em misericórdia”. Além disso, “a condição em que eu agi era de não plena liberdade”. Um caminho doloroso para “recuperar a dignidade e a coragem de olhar na cara do meu erro e de aceitar o perdão por uma coisa que, depois, eu entendi que era horrenda”. Um peso insuportável, que “eu tentava esconder em mim, mas que, dentro, provocava um vazio com consequências devastadoras: desordens alimentares e afetivas”. Mal-estar e raiva.
Abismos nunca preenchidos por “justificações que não serviram para me absolver: eu me sentia culpada por ter negado a uma criança o direito de nascer”. Ouvir Francisco que abraça “aqueles que, como eu, se sentiam rejeitados” enche o coração. A misericórdia vem antes do juízo. “Estou em casa, a Igreja é aqui.”
Giacomo Galeazzi- Vatican Insider

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