“Sede santos, porque eu sou santo” (I Pd. 1, 16)

Confira a carta 07/2018 aos membros da Renovação Carismática Católica do Brasil....

Exortação Apostólica sobre o chamado à santidade.

BAIXE O PDF "Gaudete et Exsultate" AQUI

A FESTA DE PENTECOSTES NO ANTIGO TESTAMENTO

Pentecostes nos primeiros tempos da historia....

“ Cantora Católica Aline Brasil participará de Noite Oracional em Camocim ”

A cantora católica estará em nossa cidade no dia 19 de Maio, véspera de pentecostes, em uma "noite Oracional"

Papa Francisco pede a oração do Terço pela paz durante mês de maio

"Convido todos a se unirem espiritualmente... "

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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Quem é a mártir da pureza Albertina Berkenbrock, a “Maria Goretti brasileira

Jovem catarinense de 12 anos, mártir da castidade, foi proclamada Bem-Aventurada pelo Papa Bento XVI
A Igreja recorda em 15 de junho a Bem-Aventurada Albertina Berkenbrock, jovem martirizada aos 12 anos de idade por defender a sua virgindade.

Pela semelhança entre as suas histórias, a menina do sul do Brasil é chamada por muitos de “a Maria Goretti brasileira”, em referência à jovem santa italiana que sofreu o martírio pelo mesmo propósito.Albertina nasceu em 11 de abril de 1919 em Imaruí, SC. Filha de imigrantes alemães que construíam a vida na nova pátria como agricultores, ela recebeu desde cedo a formação católica e aprendeu ainda pequena as orações, que fazia com alegria. Participava ativamente da vida religiosa da comunidade e se preparava com entusiasmo para receber a Primeira Comunhão. Albertina dizia que aquele seria o dia mais belo de sua vida.
Confessava-se com frequência e comungava sempre. Além de gostar muito de falar da Eucaristia, cultivava especial devoção a Nossa Senhora, rezando o rosário com fervor. Também era devota do padroeiro da comunidade, São Luís, que, providencialmente, é considerado modelo de juventude vivida na pureza do corpo e da alma.
Albertina Berkenbrock

Foi no dia 15 de junho de 1931 que Albertina, aos 12 anos, deu o seu grande testemunho, perdendo a vida para preservar a sua pureza espiritual e corporal.

sábado, 9 de junho de 2018

Rede Italiana grava matéria especial sobre a Comunidade Shalom

Na última  quinta-feira, 7, a rede de televisão italiana RAI, visitou a Comunidade Católica Shalom, na sua sede governamental, a Diaconia Shalom, em Aquiraz/CE. Na ocasião, a emissora realizou uma gravação sobre a história e a missão da Comunidade para o programa “A sua immagine. Le ragioni della speranza” (A sua imagem. As razões da esperança). O programa é apresentado por Don Davide Banzato, assistente espiritual geral da Obra Nuovi Orizzonti (Novos Horizontes).
Don Davide e alguns missionários da Nuovi Orizzonti foram acolhidos por Moysés Azevedo, fundador da Comunidade Shalom, que falou sobre o Carisma Shalom. Logo após visitarem a Capela e alguns setores, todos participaram de uma celebração eucarística.

Lançado “Vota Família”, site de apoio para ajudar escolher candidatos nas eleições de 2018 que defendem a família

O Sempre Família lançou uma iniciativa que promete ser de grande utilidade nas eleições deste ano para os brasileiros que se preocupam com a defesa da vida e a promoção da família. No Vota, Família!, é possível conferir o posicionamento de cada pré-candidato à presidência da República e de cada partido político sobre temas de interesse para a família brasileira.


O lançamento do projeto ocorreu durante o Simpósio Família e Vida nas Eleições 2018, em Curitiba, um evento organizado pelo Sempre Família, com o apoio do jornal Gazeta do Povo, que contou com a presença de lideranças pró-vida e pró-família de todo o Brasil.

Os temas considerados pela análise do Vota, Família! se relacionam diretamente com as convicções defendidas pelo site. A posição de cada partido ou pré-candidato no que diz respeito à defesa da vida, casamento, drogas, conciliação entre trabalho e família, educação moral dos filhos e liberdade religiosa definiu a avaliação que cada partido ou pré-candidato recebeu. A avaliação tomou como base entrevistas, documentos, publicações em redes sociais e a análise de trajetória.

PROJETO ABRAÇO DE PAI CONTEMPLA COMUNIDADE DE MONTEVIDÉU EM CAMOCIM

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A Renovação Carismática Católica realizará nos dias 09 e 10 de junho a 2ª edição do Projeto ABRAÇO DO PAI, ação social e evangelizadora promovida por seu Ministério de Promoção Humana. Desta vez, as atividades acontecerão na localidade de Montevidéu (Região de Amarelas), comunidade pertencente à Paróquia São Francisco das Chagas.
Para a tarde do sábado (dia 09 de junho), o movimento se programa para fazer visitas domiciliares, levando a Palavra de Deus e conhecendo as realidades da comunidade a ser alcançada pelo Projeto.
Já na manhã do domingo (10 de junho) serão realizados atendimentos sociais, estéticos e espirituais, além de um momento comunitário de louvor e de oração. Ainda no domingo, a partir das 18h, a RCC estará animando a abertura do Tríduo a Santo Antonio, Padroeiro daquela comunidade que estará em festejo até o próximo dia 13 de junho.
Os interessados em colaborar com o evento devem procurar a Coordenação do Ministério de Promoção Humana, através dos contatos (88) 9 9928-9796 ou (88) 9 9902-4016 (Falar com Laís).

por: M.C.S RCC Camcocim

sábado, 12 de maio de 2018

Festa de Pentecostes- Vem Espírito Santo!

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Dia 19 de Maio (sábado), a partir das 19 horas, na Pracinha do Amor, noite oracional contando com a cantora católica Aline Brasil;
Domingo, dia 20 de Maio, na Quadra do Instituto São José, com pregações, orações, louvores e muitas graças, participação do missionário católico José Daniel, da Comunidade Católica Mariana Aliança de Paz.
Vamos num só coração clamar por vivamento para o nosso Camocim. 
Vem Espírito Santo vem!

rcc camocim 
Rcc🙌



sábado, 5 de maio de 2018

Faça o download da Capelinha, símbolo do Jubileu de Ouro da RCC no Brasil

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Lançada durante o II Encontro Nacional para Coordenadores Diocesanos, em Aparecida (SP), no último dia 29, a Capelinha do Jubileu foi entregue pela presidente do Conselho Nacional da RCCBRASIL, Katia Roldi Zavaris, aos presidentes dos Conselhos Estaduais da RCC como o símbolo das comemorações pelos 50 anos da RCC no Brasil. Conforme divulgado no evento, a partir desta quinta-feira (03) já é possível baixar o arquivo para impressão.
A capelinha foi criada para levar as celebrações jubilares por todo o Brasil. Nela, o Espírito Santo é o ponto principal e central. De um lado, há a figura de Nossa Senhora Aparecida e, do outro, a figura da Beata Elena Guerra. Assim, os carismáticos são convidados a clamarem o Espírito Santo contando com a intercessão da Virgem Maria e da apóstola do Espírito.
Quando fechada, as portas da capelinha estão cobertas por flores, significando a nova primavera que o Movimento está vivendo, tendo o Espírito Santo como condutor de toda essa graça. Na parte de trás, foi colocada a oração completa do Veni Creator, em que todos são convidados a clamarem juntos a presença do Espírito Santo.
Priscila Carvalho Venecian, a designer que criou o material que é baseado nas moções e inspirações dadas ao Conselho Nacional da RCCBRASIL, explicou durante o II Encontro Nacional de Coordenadores Diocesanos toda a moção profética e especificações da Capelinha. Você pode assistir esse momento completo clicando aqui.
“Que esse símbolo, em forma de capela, recorde a cada Grupo de Oração, durante esse tempo de Jubileu, que o Espírito Santo está sempre pronto para se derramar sobre todos os corações. O Espírito está sempre, sempre em prontidão para se derramar sobre todas as pessoas. Que Ele, por meio desse símbolo, possa inundar os corações dos carismáticos do Brasil”, proclamou a presidente do Conselho Nacional, Katia Roldi Zavaris.
Também durante o Encontro para Coordenadores, a secretária geral do Conselho Nacional da RCCBRASIL, Kédina Rodrigues, partilhou que, com o ato simbólico da Capelinha, “portas” (que antes estavam fechadas) serão abertas pelo Senhor nas dioceses, portas que jamais serão fechadas novamente, “é a graça do ano jubilar da RCC no Brasil”, proclamou.  

Baixe agora mesmo!
Para que todos os Grupos de Oração do Brasil vivam essa moção e esse tempo de unidade, a Capelinha poderá ser impressa em qualquer quantidade, porém não é permitido alterar nenhum aspecto da arte, podendo ser acrescentado apenas o nome do Grupo de Oração ou diocese. Quanto ao tipo de papel, sugere-se que a gramatura seja maior que 250g.
Para impressão em gráfica, os dados para orçamento básico são:
         - 219x170 aberto - 170x109 fechado
         - couche fosco 320g, 4x4 Cores
         - acabamento: corte e vinco com faca especial e dobras
         OBS.: Pode ser alterado o tamanho ou tipo de acabamento especial como verniz fosco, localizado ou laminação, conforme decisão da Diocese ou estado.
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Perguntas e respostas sobre a Eutanásia à luz da dignidade humana e da fé Católica.

Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, «Eutanásia: o que está em jogo? Contributos para um diálogo sereno e humanizador»

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A EUTANÁSIA

1. O que são a eutanásia e o suicídio assistido?

Etimologicamente, o termo “eutanásia” deriva do grego: eu, “boa”, e thanatos, “morte”.

Por eutanásia, deve entender-se «uma ação ou omissão que, por sua natureza e nas intenções, provoca a morte com o objetivo de eliminar o sofrimento»[1].

A ela se pode equiparar o suicídio assistido, quando não se causa diretamente a morte de outrem, mas se presta auxílio ao suicídio de outrem, com o objetivo de eliminar o sofrimento. Também se usa a expressão “suicídio medicamente assistido”, porque, de um modo geral, as legislações em vigor em vários Estados exigem que seja um médico a prestar esse auxílio, do mesmo modo que as leis que permitem a eutanásia exigem que seja um médico a praticá-la.

2. Será a eutanásia verdadeiramente uma “morte assistida”?

É usada, com frequência, a expressão “morte assistida” como conceito que inclui a eutanásia e o suicídio assistido.

Mas trata-se de uma expressão enganadora e que pode confundir.

A eutanásia e o suicídio assistido representam o encurtamento intencional de uma vida. Não é possível para ninguém — saudável ou com uma doença incurável — prever o momento da sua morte. A eutanásia reflete a pretensão de transformar a morte num “acontecimento programado e calculado”.

Prestar assistência a uma pessoa doente até ao termo natural da sua vida é uma expressão da solidariedade humana e da caridade cristã; nesse sentido, poderia falar-se em “morte assistida”. Mas tal não deve confundir-se com a eutanásia e o suicídio assistido. Nestas situações, trata-se de provocar deliberadamente a morte de outra pessoa (de “matar”) ou de prestar ajuda ao suicídio de outra pessoa (de ajudar a que outra pessoa “se mate”). A eutanásia não acaba com o sofrimento, acaba com uma vida.

Em vez de “morte assistida”, faria mais sentido falarmos em “vida assistida até ao seu termo natural”, garantindo ao doente terminal, através dos cuidados paliativos no aproximar do fim da vida, a assistência médica e humana necessária para o alívio do sofrimento. É, portanto, legítimo reclamar a humanização do fim da vida através de um conjunto de meios e atenções, oferecendo à pessoa os cuidados de que necessita e que dignificam não apenas quem os recebe, mas também quem os pratica num ato de verdadeira compaixão e generosidade.

3. O que é a obstinação terapêutica?

A obstinação terapêutica é também designada como exacerbação terapêutica, encarniçamento terapêutico ou excesso terapêutico.

Distinta da eutanásia é a decisão de renunciar à obstinação terapêutica, ou seja, «a certas intervenções médicas já inadequadas à situação real do doente, porque não proporcionadas aos resultados que se poderiam esperar ou ainda porque demasiado gravosas para ele e para a sua família»[2]. «A renúncia a meios extraordinários ou desproporcionados não equivale ao suicídio ou à eutanásia; exprime, antes, a aceitação da condição humana perante a morte»[3].

A obstinação terapêutica corresponde, assim, à aplicação de todos os métodos, diagnósticos e terapêuticos conhecidos, — mas que não visam proporcionar qualquer benefício ao doente —, com o objetivo de prolongar de forma artificial e inútil a sua vida, impedindo, portanto, através de uma atuação terapêutica desadequada e excessiva (desproporcionada), que a natureza siga o seu curso. Esta abordagem não é desejável; é, aliás, eticamente condenável, corresponde a má prática médica e conduz à chamada distanásia.

Na escolha da intervenção adequada (proporcionada), o médico deverá ponderar bem os meios, o grau de dificuldade e de risco, o custo e as possibilidades de aplicação, em confronto com o resultado que se pode esperar, atendendo ao estado do doente e às suas forças físicas e morais[4].

Nem sempre é fácil estabelecer uma linha clara entre a intervenção terapêutica adequada e a obstinação terapêutica. Cada caso deve ser avaliado na sua especificidade, de acordo com os meios disponíveis e com os avanços da medicina a cada momento. Seja como for, a medicina deve intervir sempre que haja uma esperança fundada de salvar a vida, devendo questionar-se medidas que não servem este propósito e se destinam apenas a prolongar a vida do doente. No entanto, importa sublinhar que a suspensão de algumas medidas terapêuticas que correspondam à obstinação terapêutica não implica a suspensão de outras, destinadas, por exemplo, a aliviar a dor do paciente.

É, pois, bem diferente matar e aceitar a morte. Quer a eutanásia, quer a obstinação terapêutica, desrespeitam o momento natural da morte: a primeira antecipa esse momento, a segunda prolonga-o de forma artificialmente inútil e penosa.

4. O que é a distanásia?

Etimologicamente, significa o contrário de eutanásia.

A distanásia consiste em utilizar todos os meios possíveis — sem que exista uma esperança de cura — para prolongar de forma artificial a vida de um doente moribundo. Está associada à obstinação terapêutica. A distanásia é também considerada como a morte em más condições de apoio clínico e humano (“má morte”), associada à dor, sofrimento e a outros sintomas causadores de desconforto e incômodo significativo.

5. A eutanásia é sempre voluntária?

As legislações atualmente vigentes em vários Estados exigem que a eutanásia corresponda a um pedido livre e reiterado do doente, ao contrário do que se verificou no regime nacional-socialista alemão.

Mas as legislações holandesa e belga permitem a eutanásia de crianças com o consentimento dos pais. Dão, assim, relevo à vontade de crianças numa questão de relevância muito superior a outras, para as quais não é dado esse realce. Deve questionar-se se estamos, nestes casos, perante uma eutanásia voluntária.

Essas legislações também permitem a eutanásia de pessoas dementes quando a vontade destas se manifestou antes do evoluir da doença e quando ainda estavam em condições de o fazer em consciência. Mas falta, nestes casos, no momento em que a eutanásia é praticada, uma expressão de vontade atual; não sabemos, pois, se a pessoa em causa não poderia ter mudado de opinião entretanto, como muitas vezes sucede com o aproximar da morte.

Para além disso, e embora sem cobertura legal, mas também sem que essa prática tenha dado origem a qualquer acusação ou condenação judicial, na Holanda e na Bélgica, verifica-se a prática da eutanásia em crianças recém-nascidas com deficiências graves e em adultos com grave deficiência e incapazes de exprimir a sua vontade consciente. Não podemos falar, nestes casos, em eutanásia voluntária[5].

6. A questão da legalização da eutanásia e do suicídio assistido envolve opções religiosas?

Para os crentes, a vida não é um objeto de que se possa dispor arbitrariamente, é um dom de Deus e uma missão a cumprir. E é no mistério da morte e ressurreição de Jesus que os cristãos encontram o sentido do sofrimento. Mas quando se discute a legislação de um Estado laico importa encontrar na razão, na lei natural e na tradição de uma sabedoria acumulada um fundamento para as opções a tomar. Esse fundamento reside no valor da vida humana em todas as suas fases e em todas as situações. A Constituição Portuguesa reconhece-o ao afirmar categoricamente que «a vida humana é inviolável» (artigo 24º, nº 1).

7. Quais são os principais argumentos dos defensores da legalização da eutanásia e do suicídio assistido?

Por um lado, são invocados os direitos de liberdade e autonomia individuais: cada um deverá poder dispor da sua vida. O direito à vida será disponível e renunciável. Haverá um direito a morrer, e a morrer com dignidade, como há um direito a viver.

Por outro lado, a eutanásia é apresentada como um ato compassivo e de benevolência, que põe termo a um sofrimento inútil e sem sentido. A vida deixa de merecer proteção quando é marcada pelo sofrimento e perde, então, dignidade.

Podemos dizer que subjacente à legalização da eutanásia e do suicídio assistido está a pretensão de redefinir mandamentos relativos ao respeito e à sacralidade da vida humana. Pretende-se que o mandamento de que nunca é lícito matar uma pessoa humana inocente («Não matarás») seja substituído por um outro, que só torna ilícito o ato de matar quando o visado quer viver. Consequentemente, intenta-se que a norma segundo o qual a vida humana é sempre merecedora de proteção, porque um bem em si mesma e porque dotada de dignidade em qualquer circunstância, seja substituída por um outro critério, segundo o qual a dignidade e valor da vida humana podem variar e podem perder-se. Ora, na nossa conceção, isto é inaceitável.

Argumenta-se, também, que a legalização da eutanásia e do suicídio assistido seria uma exigência da liberdade de convicção e consciência e da liberdade religiosa, assim como da neutralidade ideológica do Estado. Haveria que respeitar a liberdade de quem considera que a sua vida não tem sentido, que o seu sofrimento não tem sentido, mesmo que outros, em iguais circunstâncias, considerem que a sua vida e o seu sofrimento têm sentido.

Invoca-se, ainda, a necessidade de regular uma situação que já existe como prática clandestina, evitando abusos e reduzindo os seus danos.

8. A legalização da eutanásia é uma exigência do respeito pela autonomia da pessoa?

Não é lógico contrapor o valor da vida humana ao valor da liberdade e da autonomia. É que a autonomia supõe a vida e sua dignidade. A vida é um bem indisponível, o pressuposto de todos os outros bens terrenos e de todos os direitos. Não pode invocar-se a autonomia contra a vida, pois só é livre quem vive. Não se alcança a liberdade da pessoa com a supressão da vida dessa pessoa. A eutanásia e o suicídio não representam um exercício de liberdade, mas a supressão da própria raiz da liberdade.

9. Todos os direitos são disponíveis?

O direito à vida é indisponível. Não pode justificar-se a morte de uma pessoa com o consentimento desta. O homicídio não deixa de ser homicídio por ser consentido pela vítima. A inviolabilidade da vida humana não cessa com o consentimento do seu titular.

O direito à vida é indisponível, como o são outros direitos humanos fundamentais, expressão do valor objetivo da dignidade da pessoa humana. Também não podem justificar-se, mesmo com o consentimento da vítima, a escravatura, o trabalho em condições desumanas ou um atentado à saúde, por exemplo. É irrenunciável o direito à segurança social. Até em questões de menor relevo, como na obrigatoriedade de uso de capacetes de proteção ou cinto de segurança, no trânsito ou em determinados trabalhos, se manifesta a indisponibilidade de alguns direitos.

10. Pode falar-se em “direito a morrer” e em “direito a morrer com dignidade”?

É absurdo falar em “direito à morte”, como seria absurdo falar em “direito à doença”, porque o direito tem sempre por objeto um bem (à vida, à saúde, à liberdade) na perspetiva da realização humana pessoal, e a morte não é nunca, em si mesma, um bem, pois todos os bens terrenos pressupõem a vida, e nunca a morte. O “direito à morte” seria ainda mais contraditório do que uma escravidão legitimada pelo consentimento da vítima.

“Direito a morrer com dignidade” terá sentido se com isso se pretende designar a morte em condições humanamente dignas, com a proximidade e o amor dos entes queridos e com cuidados paliativos, se necessários. Não certamente se com isso se designa alguma forma de morte provocada, como o são a eutanásia e o suicídio assistido. Não se compreende que uma morte seja digna por ser provocada, ou mais digna por ser provocada.

11. Pode dizer-se que é autêntica a manifestação de vontade de doentes terminais que pedem a eutanásia?

Pode dizer-se que nunca é absolutamente seguro que se respeita a vontade autêntica de uma pessoa que pede a eutanásia. Nunca pode haver a garantia absoluta de que o pedido de eutanásia é verdadeiramente livre, inequívoco e irreversível.

Muitas vezes, traduz uma ideia momentânea, frequentemente condicionada por um humor depressivo, e que, após o tratamento psiquiátrico adequado, pode ser alterada. Em fases terminais sucedem-se momentos de desespero alternando com outros de apego à vida. Porquê respeitar a vontade expressa num momento, e não noutro? Não poderia a pessoa vir a arrepender-se mais tarde, como se arrependem a maior parte dos que tentam o suicídio? É que a decisão de suprimir uma vida é a mais absolutamente irreversível de qualquer das decisões, dela nunca pode voltar-se atrás.

Que certeza pode haver de que o pedido de morte é bem interpretado, não será ambivalente, talvez mais expressão de uma vontade de viver de outro modo, sem o sofrimento, a solidão ou a falta de amor experimentados, do que de morrer? Ou de que esse pedido não é mais do que um grito de desespero de quem se sente abandonado e quer chamar a atenção dos outros? Ou de que não é consequência de estados depressivos passíveis de tratamento? Estando em jogo a vida ou a morte, a mínima dúvida a este respeito seria suficiente para optar pela vida (in dubio pro vita). E poderá estar alguma vez afastada essa mínima dúvida?

Num estudo realizado por Emanuel et al. (2000)[6] com 988 doentes terminais, cerca de 10,6% destes doentes referiram considerar pedir a eutanásia, ou o suicídio medicamente assistido, para si próprios. No entanto, cerca de 6 meses mais tarde, cerca de 50,7 % desses doentes mudaram de opinião, recusando a eutanásia. Além disso, os sintomas depressivos estavam associados aos pedidos de eutanásia.

12. O valor da vida tem relevo apenas individual?

A vida não pode ser concebida como um objeto de uso privado, como se estivesse de forma incondicional à disposição do seu proprietário para a usar ou a deitar fora de acordo com o seu estado de espírito ou determinada circunstância. Ninguém vive para si mesmo, como também ninguém morre para si próprio. A vida tem uma referência social e transpessoal, associada ao amor, à responsabilidade, à interdependência e ao bem comum.

E o valor da vida de cada pessoa para toda a sociedade não desaparece quando essa pessoa deixa de ser útil, deixa de produzir, perde quaisquer capacidades, ou pode vir a ser sentida como “peso” pelos outros.

13. Faz sentido falar em vidas que perdem dignidade, ou vidas “indignas de ser vividas”?

A vida humana é única, irrepetível e encerra sempre um mistério. A dignidade de uma pessoa não se mede pela sua popularidade, pela sua utilidade para a sociedade, nem diminui com o sofrimento ou a proximidade da morte. Se a vida humana não vale por si mesma, qualquer um pode sempre instrumentalizá-la em função de qualquer finalidade.

A dignidade da vida humana não depende de circunstâncias externas e nunca se perde. Não é menor, nem se perde, por estar marcada pela doença e pelo sofrimento.

14. Será o sofrimento físico e psíquico uma justificação para a eutanásia ou o suicídio assistido?

Importa lembrar que com a eutanásia e o suicídio assistido não se elimina, ou atenua, o sofrimento, elimina-se, sim, a vida da pessoa que sofre. A eutanásia e o suicídio assistido são uma forma fácil e ilusória de enfrentar o sofrimento, o qual só se enfrenta verdadeiramente através dos cuidados paliativos e do amor concreto para com quem sofre.

Há que combater, através dos cuidados paliativos, o sofrimento que pode ser evitado. Tais cuidados permitem eliminar o sofrimento físico intolerável.

Mas a dor e o sofrimento, físico e psíquico, fazem parte da natureza humana e acompanham o homem ao longo da sua vida. A alegria do nascimento de um filho é antecedida pelo sofrimento do parto. Na vida de qualquer pessoa, os momentos de alegria e bem-estar vão alternando com períodos mais ou menos prolongados de tristeza e sofrimento. É impossível julgar que se pode viver evitando a dor ou o sofrimento. E a morte nunca pode ser resposta. Se o fosse, estaria aberta a porta à legalização do homicídio a pedido e do auxílio ao suicídio em quaisquer circunstâncias, o que não advogam os defensores da legalização da eutanásia e do suicídio assistido. E deixariam de ter sentido as políticas públicas de prevenção do suicídio.

Há que evitar o sofrimento físico e psíquico destrutivo e intolerável, neles intervir ativamente e ajudar a encontrar um sentido para o sofrimento que não pode ser evitado, que faz parte da vida, em qualquer das suas fases, com ou sem doença. Os cristãos encontram esse sentido no sofrimento que Jesus Cristo experimentou até à morte na Cruz. Crentes e não crentes podem ver no sofrimento um desafio que nos faz crescer em humanidade (e não é humanamente benéfica a pretensão ilusória de fugir ao sofrimento inevitável).

Dizia Viktor Frankl, um psiquiatra judeu que sobreviveu aos tormentos de um campo de concentração nazi, e que desenvolveu a logoterapia: «quando não podemos mudar certas circunstâncias da vida, somos desafiados a mudar-nos a nós próprios»[7].

Como afirma Bento XVI, «a grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre»[8].

Para além do círculo afetivo dos seus familiares e amigos, a dignidade de quem sofre reclama o cuidado médico proporcionado, mesmo que os atos terapêuticos e os analgésicos possam, pelo efeito secundário inerente a muitos deles, contribuir para algum encurtamento da vida. Neste caso, não se trata de eutanásia, pois o objetivo não é dar a morte, mas preservar a dignidade humana e a «santidade de vida», minimizando o sofrimento e criando as condições para a «qualidade de vida» possível.

15. A legalização da eutanásia e do suicídio assistido são uma exigência do respeito pela liberdade de convicção e consciência e da liberdade religiosa, assim como da neutralidade ideológica do Estado?

Para justificar a legalização da eutanásia e do suicídio assistido, há quem alegue que dessa forma o Estado não toma qualquer partido a respeito de conceções sobre o sentido da vida e da morte e respeita, apenas, a vontade e as conceções sobre o sentido da vida e da morte de quem solicita tais pedidos.

Não é assim. O Estado e a ordem jurídica, ao autorizarem tal prática, dando-lhes o seu apoio, estão a tomar partido, estão a confirmar que a vida permeada pelo sofrimento, ou em situações de total dependência dos outros, deixa de ter sentido e perde dignidade, pois só nessas situações seria lícito suprimi-la.

Quando um doente pede para morrer porque acha que a sua vida não tem sentido ou perdeu dignidade, ou porque lhe parece um peso para os outros, a resposta que os serviços de saúde, a sociedade e o Estado devem dar a esse pedido não é: «Sim, a tua vida não tem sentido, a tua vida perdeu dignidade, és um peso para os outros». Mas a resposta deve ser outra: «Não, a tua vida não perdeu sentido, não perdeu dignidade, tem valor até ao fim, tu não és peso para os outros, continuas a ter valor incomensurável para todos nós». Esta é a resposta de quem coloca todas as suas energias ao serviço dos doentes mais vulneráveis e sofredores e, por isso, mais carecidos de cuidados e amor; a primeira é a atitude simplista e anti-humana de quem não pretende implicar-se na questão do sentido da verdadeira «qualidade de vida» do próximo e embarca na solução fácil da eutanásia ou do suicídio assistido.

16. Mas não será preferível regular uma situação que já existe como prática clandestina, evitando abusos e reduzindo os seus danos?

Este tipo de argumentação foi já utilizado nas campanhas pela legalização do aborto. E há quem o invoque em favor da legalização da venda e consumo de droga, por exemplo. Há que salientar, desde logo, porém, que a eventual prática clandestina da eutanásia não tem comparação com a prática do aborto clandestino ou com o consumo e tráfico de droga.

Este tipo de raciocínio levaria a desistir de combater qualquer crime, pois se verifica sempre a sua prática clandestina.

E a experiência revela que, depois da legalização da eutanásia, continua a prática desta também fora do quadro legal, sendo que não há notícia de condenações judiciais por isso. A tendência será, mesmo, para intensificar essa prática clandestina, devido a um clima de maior permissividade perante qualquer tipo de eutanásia, seja ela legal ou não.

17. Pode considerar-se a legalização da eutanásia um progresso civilizacional?

A legalização da eutanásia e do suicídio assistido são habitualmente apresentadas junto da opinião pública como mais um sinal de progressismo, numa linha de promoção da liberdade individual. Os opositores surgem como antiquados.

Será importante recordar que a legalização da eutanásia e do suicídio assistido não são um progresso civilizacional, mas antes um retrocesso. Em diversas sociedades primitivas, bem como na Grécia e na Roma antigas, a eutanásia era praticada. Os idosos, os doentes incuráveis e os “cansados de viver” podiam suicidar-se ou submeter-se a práticas e ritos destinados a provocar uma “morte honrosa”. A morte de anciãos foi praticada em algumas tribos de Akaran (Índia), do Sian inferior, entre os cachibas e os tupis do Brasil. Na Europa entre os antigos wendi, povo eslavo, e até no século XX na Rússia na seita pseudo-religiosa dos “estranguladores”[9].

A valorização e a defesa da vida humana em todas as suas fases foram instituídas, em grande parte, pelo cristianismo. O verdadeiro progresso da humanidade foi no sentido de criar leis e normas que defendam a vida humana e impeçam o mais forte de exercer o seu poder sobre o mais fraco (a abolição do infanticídio, da escravatura, da tortura, da discriminação racial, etc.). Uma sociedade será tanto mais justa e fraterna quanto melhor tratar e cuidar dos seus membros mais vulneráveis.

18. Quais serão as consequências sociais da legalização da eutanásia?

A mensagem que, através da legalização da eutanásia e do suicídio assistido, assim se veicula tem graves implicações sociais, que vão para além de cada situação individual. Esta mensagem não pode deixar de ter efeitos no modo como toda a sociedade passará a encarar a doença e o sofrimento.

A quebra de um interdito fundamental (“não matar”) que estrutura, como sólido alicerce, a vida comunitária, não pode deixar de afetar a confiança no seio das famílias, entre gerações, e na comunidade em geral.

Há o sério risco de que a morte passe a ser encarada como resposta à doença e o sofrimento, já que a solução não passaria por um esforço solidário de combate a essas situações, mas pela supressão da vida da pessoa doente e sofredora, pretensamente diminuída na sua dignidade. E é mais fácil e mais barato. Mas não é humano! Neste novo contexto cultural, o amor e a solidariedade para com os doentes deixarão de ser tão encorajados, como já têm alertado associações de pessoas que sofrem das doenças em questão e que se sentem, obviamente, ofendidas quando vêm que a morte é apresentada como “solução” para os seus problemas. E também é natural que haja doentes, de modo particular os mais pobres e débeis, que se sintam socialmente pressionados a requerer a eutanásia, porque se sentem “a mais” ou “um peso”.

É este, sem dúvida, um perigo agravado num contexto de envelhecimento da população e de restrições financeiras dos serviços de saúde que implícita ou explicitamente se podem questionar: para quê gastar tantos recursos com doentes terminais quando as suas vidas pode ser encurtadas?

Não podemos ignorar que entre nós uma grande parte dos doentes, especialmente os mais pobres e isolados, não tem acesso aos cuidados paliativos, que são a verdadeira resposta ao seu sofrimento. A legalização da eutanásia e do suicídio assistido contribuirá para atenuar a consciência social da importância e urgência de alterar esta situação, porque poderá ser vista como uma alternativa mais fácil e económica.

19. Será possível restringir a legalização da eutanásia e do suicídio assistido a situações raras e excecionais?

A experiência dos Estados que legalizaram a eutanásia revela que não é possível restringir essa legalização a situações raras e excecionais; o seu campo de aplicação passa gradualmente da doença terminal à doença crónica e à deficiência, da doença física incurável à doença psíquica dificilmente curável, da eutanásia consentida pela própria vítima à eutanásia consentida por familiares de recém-nascidos, crianças e adultos com deficiência ou em estado de inconsciência.

É conhecida a imagem da rampa deslizante (slippery slope), muitas vezes evocada a este respeito. Depois de se iniciar uma descida vertiginosa, não se consegue evitar a queda no abismo; quando se introduz uma brecha num edifício, não se consegue evitar a sua derrocada.

Dois são os trajetos através dos quais se vai alargando o alcance da legalização da eutanásia e do suicídio assistido. Trata-se de um percurso lógico e, por isso, previsível.

Por um lado, quando se invoca a autonomia para justificar essa legalização, é lógico que estas práticas não se limitem a situações de doença em fase terminal. São, assim, mortas pessoas muito antes do final da sua vida e algumas sem estar doentes.

Por outro lado, quando se reconhece que há situações em que a vida “perde dignidade”, pela doença, sofrimento ou dependência, e, por isso, nessas situações a vida não merece a proteção que merece noutras, justificando-se a eutanásia e o suicídio assistido; então, porque nessas situações a vida “perde dignidade”, deixa de ser “digna de ser vivida”, pode prescindir-se de um pedido expresso no caso de pessoas incapazes de o formular: recém-nascidos, crianças, pessoas com deficiência ou com demência. E invoca-se o princípio da igualdade: porque haverão, então, de ficar privadas do pretenso “benefício” da eutanásia estas pessoas?

20. Tem aumentado no número de casos de eutanásia e suicídio assistido nos países em que estas práticas foram legalizadas?

Sim. Um trabalho de revisão realizado por Steck et al. (2013) revela que o número de mortes associadas à eutanásia e ao suicídio assistido aumentou nos países em que tais práticas foram legalizadas, como é o caso da Bélgica, Holanda, Suíça e o Estado de Oregon nos EUA[10].

Por exemplo, na Holanda, em 2015 a prevalência de mortes ocorridas através da eutanásia e do suicídio assistido foi de 4829 casos, o que corresponde a 3,4 % de todas as mortes[11]. Na Bélgica, em 2003 morreram através da eutanásia 235 pessoas. Em 2013 esse número aumentou para 1807, o que corresponde a um aumento de cerca de 789% em 10 anos[12]. Os dados disponíveis mostram que os números têm vindo sempre a aumentar, o que comprova que esta medida não se aplica apenas em casos pontuais.

21. Quais serão as consequências da legalização da eutanásia na medicina e na relação médico-doente?

A medicina assenta a sua prática no diagnóstico e no tratamento das doenças, no acompanhamento e alívio do sofrimento dos doentes, sempre com a finalidade de defesa da vida humana. A tradição refletida no juramento de Hipócrates obriga a que os médicos estejam do lado da vida, lutando contra a doença que nas suas formas mais graves conduzem à morte. A eutanásia opõe-se à medicina e acaba por ser a sua negação.

A relação de confiança médico-doente, que é a base da medicina, é, assim, destruída. É fácil perceber que aquele que deveria fazer tudo para nos salvar, não pode subitamente, ainda que a nosso pedido, agir no sentido de nos tirar a vida. A imagem do médico não pode passar de uma referência amiga e confiável à de um executante de uma sentença de morte.

Perante um médico que pratica a eutanásia, o doente pode recear que este decida suspender os tratamentos mesmo quando estes se justificam.

Além disso, a inclusão da eutanásia na prática médica pode levar a que o clínico, em situações semelhantes àquelas em que tenha sido praticada a eutanásia, tenda a repetir essa prática, ou a propô-la aos seus doentes.

Do ponto de vista médico, a eutanásia é executada através de um ato técnico (administração de drogas letais), mas não pode ser considerado um ato clínico, já que não se destina a aliviar ou a curar uma doença, mas sim a pôr termo à vida do paciente. Portanto, a eutanásia e o suicídio assistido não são tratamentos médicos.

A Associação Médica Americana (American Medical Association) tomou posição contra o envolvimento dos médicos na eutanásia e no suicídio assistido, referindo claramente que esse envolvimento contradiz o papel profissional do médico[13]. A Associação Médica Americana acrescenta que a avaliação e o tratamento por um profissional de saúde, com experiência nos aspetos psiquiátricos de doença terminal, pode, em muitos casos, aliviar o sofrimento que leva um paciente a desejar suicídio assistido.

22. A eutanásia está a ser praticada em doentes psiquiátricos? Que consequências daí podem advir?

Sim. Um estudo realizado na Holanda, entre 2011 e meados de 2014, revelou isso mesmo, sendo que a maioria dos casos de eutanásia devido a doenças psiquiátricas (N=66) correspondiam a mulheres (cerca de 70%), com várias doenças psiquiátricas crónicas, e socialmente isoladas. Cerca de 25% dos casos tinham idades compreendidas entre 30 e os 50 anos. A depressão e as perturbações de ansiedade foram as principais patologias psiquiátricas apresentadas pelos doentes (56%). Além disso, em 24% dos casos, os pareceres dos médicos psiquiatras não foram no sentido de justificar o pedido de eutanásia. Porém, nestes casos, a comissão legalmente prevista decide geralmente em favor da prática da eutanásia[14].

Na Suíça, num estudo realizado pelo Instituto de Medicina Legal de Zurique sobre os suicídios assistidos praticados por duas associações (Exit Deutsche Schweiz e Dignitas), entre 2001-2004, (N=421) revelou que nenhuma destas pessoas sofria de qualquer doença letal e que o “cansaço da vida” foi evocado em 25% dos suicídios (N= 105)[15] assistidos. De acordo com os resultados publicados neste estudo, a percentagem de suicídios assistidos cometidos em pessoas sem qualquer doença letal tem vindo a aumentar desde 1992. Facilmente se percebe que entre estas poderão estar pessoas que sofram de depressão e que se encontrem numa situação de grande fragilidade emocional.

A eutanásia praticada em doentes psiquiátricos é motivo de enorme preocupação na classe médica. Há o sério risco de os psiquiatras desistirem de tratar alguns doentes com depressão, com o efeito de desmoralização que isso poderá ter noutras pessoas com a mesma doença, e de ser desincentivada a melhoria dos cuidados psiquiátricos[16].

23. Quais são os direitos do doente em estado terminal?

Há um conjunto de direitos associados à dignidade humana que devem ser respeitados durante o período em que se avizinha o fim da vida. Neste caso, será preferível a expressão “fim de vida digno” em vez de “morte digna”.

Os direitos do fim da vida incluem:

o direito aos cuidados paliativos;
o direito a que seja respeitada a sua liberdade de consciência;
o direito a ser informado com verdade sobre a sua situação clínica;
o direito a decidir sobre as intervenções terapêuticas a que se irá sujeitar (consentimento terapêutico);
o direito a não ser sujeito a obstinação terapêutica (tratamentos inúteis e desproporcionados, também designados como fúteis);
o direito a estabelecer um diálogo franco, esclarecedor e sincero com os médicos, familiares e amigos;
o direito a receber assistência espiritual e religiosa.
24. O que são os cuidados paliativos?

São cuidados de saúde prestados por uma equipa multidisciplinar especializada, que incluem a chamada medicina paliativa, que é hoje uma especialidade médica vocacionada para prestar cuidados clínicos aos doentes avançados e incuráveis e/ou muito graves. De acordo com a Organização Mundial de Saúde[17], os cuidados paliativos servem para melhorar a qualidade de vida dos doentes e das famílias que se confrontam com doenças ameaçadoras para a vida, mitigando a dor e outros sintomas e proporcionando apoio espiritual e psicológico, desde o momento do diagnóstico até ao final da vida.

Os cuidados paliativos não se destinam a curar a doença, nem tão-pouco a acelerar ou atrasar a morte (aceitam a inevitabilidade da morte), mas a assegurar um conjunto de medidas que visam cuidar do doente, aliviando o seu sofrimento físico e psíquico, garantindo-lhe conforto e a melhor qualidade de vida possível. Devem ser oferecidos muito antes da proximidade da morte do paciente, caso contrário poderão não garantir os objetivos de bem-estar que pretendem atingir. O apoio é dirigido quer ao doente, quer à família, procurando-se que os doentes possam viver tão ativamente quanto possível até à morte. Estes cuidados de saúde humanizados são prestados habitualmente por uma equipa multidisciplinar, constituída por médicos, enfermeiros, auxiliares, fisioterapeutas, psicólogos, podendo também incluir voluntários.

Em doentes em fase terminal (últimos 3-6 meses de vida), é frequente existir dor física, sofrimento psíquico, bem como outros sintomas. As intervenções dos cuidados paliativos destinam-se a aliviar os sintomas que mais afetam o paciente. O sofrimento psíquico pode ser aliviado através de psicofármacos, mas também através de psicoterapia de apoio, do consolo moral e efetivo prestado pela equipa de cuidadores e também pela família, garantindo, assim, que nenhum doente em fim de vida (últimos 12 meses de vida) ou agónico (últimas horas ou dias) fica entregue a si próprio.

Estes cuidados devem ser prestados de forma continuada até ao momento da morte; e mesmo após a morte, com a prestação de apoio à família enlutada.

Os cuidados paliativos devem ser oferecidos atempadamente – e não apenas quando o doente está moribundo – de uma forma que respeite a sensibilidade deste e da sua família, e de acordo com as suas características culturais e religiosas.

Esta é uma área da medicina relativamente nova enquanto especialidade e necessita de ser alargada a mais zonas do país, com a criação de mais equipas especializadas.

25. O que é sedação paliativa?

Trata-se da utilização monitorizada de terapêutica destinada a induzir um estado de sedação, alterando, assim, o estado de consciência do doente, tendo em vista aliviar a carga de sofrimento causada por um ou mais sintomas que não cedem aos tratamentos habituais (ditos refratários), de uma forma que é eticamente aceitável para o doente, família e prestadores de cuidados de saúde. Utilizam-se fármacos sedativos (não morfina) e podem ocorrer diferentes níveis de sedação.

A sedação paliativa pode ser recomendada nalgumas situações e configurar a boa prática médica no âmbito dos cuidados paliativos[18]. Contudo, a sedação paliativa não deve nunca servir para abreviar a vida do doente. Além disso, não pode ser considerada um tratamento de primeira linha e deve ser praticada por uma equipa devidamente preparada. Assenta nos seguintes pontos: 1. Intenção clara (sedar o doente com a intenção de aliviar o sofrimento); 2. Processo (com o consentimento do doente e recurso a fármacos sedativos); 3. Resultado (o êxito da sedação é o alivio do sofrimento e não a morte).

26. Quais são as principais necessidades dos doentes em fim de vida?

As necessidades dos doentes em fim de vida e terminais assentam essencialmente no alívio do sofrimento físico e psíquico, prestado por uma equipa devidamente capacitada, no apoio espiritual e no suporte afetivo através da família e amigos.

A dor física é muito frequente, principalmente nas doenças neoplásicas. Uma correta terapêutica da dor torna-se necessária e importante para garantir a melhor qualidade de vida. No entanto, existem vários outros sintomas e todos merecem o devido tratamento.

O sofrimento psíquico não deve ser menosprezado. Estes doentes apresentam com frequência perturbações depressivas que obrigam a uma terapêutica antidepressiva e a um adequado apoio psicológico. É importante que o doente sinta que não está sozinho, sinta que a sua vida tem sentido e que tem o apoio de uma equipa a tratar dele, o que, juntamente com o carinho da família e dos amigos, proporciona um precioso auxílio para contrariar o sentimento de isolamento e insegurança que ocorre com frequência nestes casos.

As necessidades espirituais (comuns a crentes e não crentes) e religiosas devem ser justamente valorizadas. O apoio que permite dar sentido ao sofrimento deve ser garantido a estes doentes.

Fátima, 8 de março de 2016

[1] João Paulo II, Carta encíclica Evangelium Vitae (25 de março de 1995), n. 65.

[2] Ibidem.

[3] Ibidem.

[4] Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração sobre a eutanásia, n. 2, 1980.

[5] Cf. Bregje D Onwuteaka-Philipsen et al., «Trends in end-of-life practices before and after the enactment of the euthanasia law in the Netherlands from 1990 to 2010: a repeated cross-sectional survey», www.thelancet.com, onlineJuly 11, 2012, http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(12)61034-41; Kenneth Chambaere er al., «Physician-assisted deaths under the euthanasia law in Belgium: a population-based survey», CMAJ, 2010, DOI:10.1503/cmaj.091876; Gerbert van Loenen, Do you call this a life?, Ross Latner, 2015.

[6] Cf. Emanuel EJ, Fairclough DL and Emanuel LL, «Attitudes and desires related to euthanasia and physician-assisted suicide among terminally ill patients and their caregivers», JAMA, 2000; 284: 2460–2468. ?

[7] In O Homem em busca de sentido.

[8] Carta encíclica Spe Salvi (30 de novembro de 2007), n. 38.

[9] Cf. Elio Sgreccia, Manual de bioética: Fundamentos e ética biomédica, Ed. Loyola, São Paulo, 1996. 601-605.

[10] Cf. Steck N, Egger M, Maessen M, Reisch T, Zwahlen M, «Euthanasia and assisted suicide in selected European countries and US states: systematic literature review». Med Care. 2013 Oct; 51(10): 938-44.

[11] Cf. Radbruch L, Leget C, Bahr P, Müller-Busch C, Ellershaw J, de Conno F, Vanden Berghe P; board members of the EAPC. Euthanasia and physician-assisted suicide: A white paper from the European Association for Palliative Care. Palliat Med. 2016 Feb;30(2):104-16.

[12] Cf. Federale Controle- en Evaluatiecommissie Euthanasie. Zesde Verslag aan de Wetgevende Kamers (2012–2013), http://www.dekamer.be/flwb/pdf/54/0135/54K0135001.pdf (acedido em 22-02-2016).

[13] Cf. https://www.ama-assn.org/ssl3/ecomm/PolicyFinderForm.pl?site=www.ama-assn.org&uri=/resources/html/Policy Finder/policyfiles/HnE/H-140.952.HTM (acedido em 19-02-2016).

[14] Cf. Kim SY, De Vries RG, Peteet JR, «Euthanasia and Assisted Suicide of Patients With Psychiatric Disorders in the Netherlands 2011 to 2014.», in JAMA Psychiatry. 2016 Feb 10. doi: 10.1001/jamapsychiatry.2015.2887. [Epub ahead of print].

[15] Cf. Fischer S, Huber CA, Imhof L et al., «Suicide assisted by two Swiss right-to-die organisations», in. J Med Ethics2008;34:810–14.

[16] Cf. Appelbaum PS. «Physician-Assisted Death for Patients With Mental Disorders-Reasons for Concern». in JAMA Psychiatry. 2016 Feb 10. doi:10.1001/jamapsychiatry.2015.2890. [Epub ahead of print].

[17] Cf. http://www.who.int/cancer/palliative/es/ (acedido em 18-02-2016).

[18] Cf. Cherny NI and Radbruch L., «European Association for Palliative Care (EAPC) recommended framework for the use of sedation in palliative care». Palliat Med 2009; 23: 581–593.

por camadelio 

Festival Halleluya entra no calendário oficial de eventos de Natal

Neste ano, Halleluya Natal será realizado de 14 a 16 de dezembro, no anfiteatro da UFRN.


A Prefeitura do Natal publicou nesta quinta-feira (03), em seu Diário Oficial, a Lei nº 6806 que insere o Festival Halleluya, promovido pela Comunidade Católica Shalom, no Calendário Oficial de Eventos da capital potiguar. Com a publicação da Lei, fica oficialmente instituído no Calendário Oficial do Município do Natal o Festival Halleluya, a ser realizado anualmente, no início do mês de dezembro.

“A cidade acolhe o Halleluya como um dom para a sociedade, porque reconhece o Festival como um evento importante e com muitos valores, dos quais a sociedade carece tanto como ética, cultura, bom lazer e paz”, afirmou o responsável pela Comunidade Católica Shalom em Natal, Kleber Marinho.

O Halleluya é o maior festival de artes integradas da América Latina, com edições em Fortaleza, São Luís e no Rio de Janeiro, além de Natal, e acontece na Capital Potiguar desde 2009.

Durante os três dias de evento, são oferecidas opções de diversão para todos os públicos. Além da programação no palco principal, a festa acontece também no Halleluya Kids, espaço Adventure, Tenda da Misericórdia, pátio Halleluya e no Festival de Artes Integradas, onde são promovidas competições de dança, música e fotografia.

Na edição de 2017, mais de 73 mil pessoas passaram pelo anfiteatro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Em 2018, o Halleluya Natal vai acontecer de 14 a 16 de dezembro.

fonte: Comshalom

Beatificam sacerdote apunhalado 32 vezes para proteger a Eucaristia

Janos Brenner nasceu em 27 de dezembro de 1931, em Szombathely (Hungria). Ele e seus dois irmãos foram sacerdotes.

O Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, presidiu a Missa de beatificação do sacerdote mártir Janos Brenner, assassinado em 1957 com 32 apunhaladas enquanto protegia a Eucaristia.
Na Missa presidida no dia 1º de maio, em Szombathely (Hungria), o Cardeal Amato recordou que Pe. Brenner tinha 26 anos quando “o apunhalaram mais de 30 vezes. Ele foi encontrado na madrugada do dia 15 de dezembro de 1957, perto da cidade de Zsida, com a mão esquerda no peito para proteger a Eucaristia, como o mártir Tarcísio”.
Tarcísio foi um jovem coroinha do século III que ajudava os sacerdotes de Roma.
Entretanto, naquela época os cristãos eram perseguidos e ele foi apedrejado por um grupo de pagãos ao proteger a Eucaristia que levava aos fiéis presos.
Segundo informações de L’Osservatore Romano, o Purpurado disse que Pe. Brenner era “amado por todos, adultos e crianças, pela pureza do seu olhar e por tratar bem os outros”. Apesar das pressões do regime comunista da Hungria, optou “com alegria por ser sacerdote. Ele era corajoso e consciente do perigo, perseverou em sua vocação de servir ao Senhor e iluminar os jovens com a palavra de Jesus”.
O Cardeal Amato sublinhou que Pe. Brenner “rezava com fé, visitava os doentes e tinha palavras de consolo e proximidade para todos”. A sua presença transmitia “confiança e alegria”. Ele costumava dizer que “não podiam fazer nenhum mal para ele, porque não podiam roubar nada dele. Tinha somente 2 calças remendadas”, acrescentou.
Segundo o Purpurado, um dos legados do novo Beato é “a atitude do cristão ante a perseguição e a oração pelos que os perseguem, assim como o perdão das suas perversões”.
O Purpurado disse que há documentação, “mas ainda está incompleta, de mais de 1.500 sacerdotes diocesanos e seminaristas e cerca de 500 religiosos presos e condenado injustamente à morte”, alguns dos quais já foram beatificados.
Breve biografia
Janos Brenner nasceu em 27 de dezembro de 1931, em Szombathely (Hungria). Ele e seus dois irmãos foram sacerdotes.
Depois que as autoridades comunistas acabaram com as ordens religiosas, Janos estudou durante um ano na Academia Teológica de Budapeste e depois no seminário em Szombathely.
Quando o seminário fechou, continuou os seus estudos de Teologia em Györ.
Foi ordenado sacerdote em 19 de junho de 1955. Serviu como capelão em Rábakethely, realizando um apostolado especial com os jovens. O regime comunista, que perseguia a Igreja, não aprovava a sua atividade.
Em 26 de dezembro de 1948, o regime prendeu o Cardeal József Mindszent e o condenou à prisão perpétua. Em 1950, foram deportados cerca de 2.500 religiosos e, em agosto, fecharam a faculdade de Teologia em Budapeste. O regime também criou “um movimento pela paz com a intenção de causar discórdia e divisão no clero”.
Em outubro de 1956, começou a revolução húngara em Budapeste, na qual “assassinaram aproximadamente 10 mil pessoas, a maioria delas eram estudantes e trabalhadores”.
Em 15 de dezembro de 1957, prepararam uma armadilha para Pe. Brenner. Para conseguir afastá-lo de sua paróquia, chamaram-no para que visitasse uma pessoa doente. Ele pegou o seu porta viático – no qual levava a Eucaristia – e foi à aldeia de Zsida. Armaram uma armadilha e o apunhalaram 32 vezes enquanto protegia o Santíssimo Sacramento com a sua mão esquerda.
Foi sepultado em 18 de dezembro na cripta familiar da Igreja Salesiana de São Quirino, em Szombathely. Seu lema sacerdotal foi colocado em seu túmulo: “Todas as coisas colaboram juntas para o bem daqueles que amam a Deus”.
No lugar do martírio de Pe. Brenner, entre os povoados de Rábakethely e de Zsida, foi construída em sua homenagem a capela do Bom Pastor em 1989.
Fonte: ACI Digital

A Ideologia de gênero e suas falsas e contraditórias ideias radicais sobre o ser humano.

Muitos dizem que vivemos em uma era pós-moderna que rejeitou a metafísica. Isso não é completamente verdade. Nós vivemos em uma era pós-moderna que promove uma metafísica alternativa. Conforme eu explico em When Harry became Sally (“Quando Harry se tornou Sally”, obra sem edição em português), no centro do momento transgênero há ideias radicais sobre o ser humano – em particular, que as pessoas são o que afirmam ser, apesar das evidências contrárias. Um menino transgênero seria um menino, não simplesmente uma menina que se identifica como um menino. É compreensível o motivo pelo qual ativistas fazem esse tipo de afirmação. Um argumento sobre as identidades transgênero será muito mais persuasivo se levar em consideração quem alguém é, não somente como alguém se identifica. E, assim, a retórica do momento transgênero atinge asserções ontológicas: as pessoas são do gênero que preferem. Essa é a alegação.
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